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6/27/2009



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29/08/1958 25/06/2009
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PARTIR...
Elen de Moraes
Para Michael Jackson
Partir...
Romper amarras
Em busca de horizontes impensados...
Perseguir ilusões temerárias,
Viajar pelos sonhos postergados
Das terras do nunca... imaginárias.

Partir...
Libertar-se dos grilhões
E dos fantasmas... Dos medos passados!
Sondar, dos mistérios, os calabouços,
Vaguear por lugares encantados,
Esquadrinhar, de outras esferas, os arcabouços.

Partir...
Vestir-se de escolhas
E abrir par em par, da alma, as escotilhas,
Com destemor pelo desconhecido.
Navegar, peito aberto, sulcando armadilhas.
Jogar no limbo o que foi preterido.

Partir...
Despir-se de controles,
Descerrar um a um, do futuro,
Os finos véus que encobriam esperanças.
Trazer à luz o que estava obscuro.
Desvencilhar-se de tantas cobranças...

Partir...
Adormecer com a verdade
E acordar nos labirintos da certeza...
Cingir-se com o manto da liberdade,
Dar novas cores, fantasia e beleza
Ao pacote da áspera realidade.

Partir...
Palmilhar estradas
E encharcar os pés no pântano do tempo...
Tempo apressado que o presente invade.
Tempo liberto de todo sofrimento.
Tempo que se dilui no rasto da saudade...

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3/28/2009 
Meu sincero agradecimento à Tera Sá e a Pablo Rueda que tão gentilmente fizeram a versão do meu soneto "Alma Perdida" (nawala kaluluwa )

Dedicado às almas gêmeas
que jamais se encontraram |
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ALMA PERDIDA
nawala kaluluwa
Elen de Moraes
Alma que entre outras almas vagueia perdida
Na procura incessante do seu próprio EU,
Em busca do que não teve ou do que perdeu...
Alma sem paz, alma sem rumo, alma ferida.
Alma que às novas paixões se entrega iludida,
Que anseia ganhar o fogo de Prometeu,
Que tenta recuperar o que não viveu...
Alma solitária, alma triste, alma sofrida.
Alma que se perde em assédios à loucura,
Que se doa por prazer... Alma inconseqüente!
Alma infeliz, pois contra si mesmo conjura.
Alma que, de alma em alma, deseja somente
Achar seu grande amor e sair da clausura.
Alma sedenta, alma perdida... Eternamente!
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LOST SOUL
A sonet of Elen de Moraes
Translated into English by Tera Sá
Among the mist, my restless poor soul,
Longing to find a soul one and true
That could never reach...ever so blue
Is the chant that cuts the half of its whole!
Illusory passions I take for the pity,
Wishing the fire Prometheus missed,
Trying to find a reason to exist,
Lonely soul of mine, wondering and misty!
And never there, I dare touch the madness,
Giving pleasure out of inconsequence,
Unhappy soul, strongly tied to sadness,
Still looking for, denying acceptance,
The strenght is there, in the inner boldness,
Lost eager soul, in eternal penance!
http://www.luso-poemas.net/modules/yogurt/index.php?uid=2789
http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=34265
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ALMA PERDIDA
Soneto de Elen de Moraes
Versão de Pablo Rueda
Alma que entre otras almas, vaga perdida... en búsqueda incesante de su propio YO, en busca de lo que no lleva o lo qué perdió.. Alma sin paz, alma sin rumbo, alma herida.
Alma que a nuevas pasiones se entrega eludida, que ansía ganar el fuego de Prometeo, que intenta recuperar lo que no vivió... Alma solitaria, alma triste, alma sufrida.
Alma que se pierde en asedios y locura, que se da por placer... Alma inconsecuente! Alma infeliz, pues contra sí misma conjura.
Alma que, de alma en alma, desea solamente hallar su gran amor y salir de la clausura. Alma sedienta! Alma perdida eternamente...

http://prrueda54.multiply.com/ |
3/15/2009
TAPETE VERMELHO (para tua eterna procura) Elen de Moraes
Ó tu, que te entorpeces Com a bebida dos sonhos destilados Nas longas vigílias da alma... Com os desejos mirabolantes Do teu inconseqüente coração... Com os pesadelos Das tuas desestruturadas emoções... Com as insônias da vida... Desadormece!
Pisa no chão da tua realidade, Nesse chão batido pelas tuas incertezas, Nesse tapete vermelho de terra firme, Derramado à tua frente Para amortecer as passadas Do teu desencanto. Esse chão de terra molhada Pelo gotejar das tuas lágrimas, Pela queda do teu pranto magoado, Pela chuva da tua desesperança, Pelos desencontros E pela solidão - Essa tua amante de todas as épocas -
Pressente nos gemidos, No farfalhar das folhas caídas Que sucumbem ao peso da tua insatisfação, O amor que se despeja à tua passagem, A paixão que se incendeia à tua volta, A sensualidade que acede à tua essência, A vida que te renasce... Descansa a fadiga da tua eterna procura Na posteridade do meu amor... Asperge sobre esse chão, Sobre esse tapete de terra no cio, A desilusão das tuas fantasias, O orvalho da tua inspiração, O desassossego dos teus versos! O harmonioso canto das tuas poesias.
| 2/10/2009
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Amigos,
o jornal "Tribuna Portuguesa" e a RTPI - California contacto estão na internet e quem quiser lê-lo (e aos videos) e se inteirar do que acontece na Comunidade Portuguesa da California - acessar os links abaixo:
www.portuguesetribune.com
www.tribunaportuguesa.com
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GUERRA E PAZ
As imagens de corpos mutilados, ensangüentados, com o terror do sofrimento no olhar, que jazem como animais sobre o chão do abandono e da descompaixão, violentam-nos sobremaneira quando abrimos o jornal ou ligamos a tv, quando vemos mulheres que se abraçam aos seus entes queridos e choram, inconformadas, as suas desgraças.
Nesse momento, como mães, sentimos que o punhal da mesma dor traspassa nossa alma e põe em cheque os nossos sentimentos mais elevados, transmudando-os em raiva e revolta e nos arranca lagrimas amargas pelo hediondo da morte sem razão, que nos faz gritar mesmo quando a voz cala seu som, pelos inúteis assassinatos que nos colocam frente a frente com a insanidade do homem que faz a guerra para obter a paz, que a faz em nome de Deus, por um pedaço de chão, por dinheiro, para se vingar ou pelo medo.
E não me refiro só ao que se passa no oriente médio. Falo também da guerra nossa de cada dia, das mortes causadas pela irresponsabilidade dos motoristas que dirigem embriagados, dos seqüestros, dos dependentes químicos que se atolam nas drogas e que se não morrem de overdose ou nos enfrentamentos com policiais, são mortos pelos próprios traficantes. Se de um lado vemos mães desalentadas, que pedem justiça pelos filhos assassinados em assaltos, por balas perdidas na troca de tiros entre policiais e bandidos ou pela violência do tráfico de drogas, do outro lado vemos as mães inconformadas, desses bandidos, debruçadas sobre os seus corpos, revoltadas pela morte prematura dos mesmos, pela sorte ruim, pela falta de oportunidade, pela desigualdade social, pela brutalidade de alguns policiais e de outro lado, ainda, vemos mães e esposas de policias, chorando por aqueles que perderam a vida nos confrontos, no cumprimento da lei.
Impotentes, perplexos, nos perguntamos por que? Por que tanto prazer em matar, tanta necessidade de reduzir o outro a pedaços descartáveis, por que a força, por que o terror e, sobretudo, por que assistimos impassíveis ao sofrimento do nosso semelhante, sem tomarmos uma posição com pulso firme, mas não beligerante, para que os conflitos sejam solucionados?
Talvez se as mulheres governassem o mundo, fossemos uma família global feliz. Comungo de algumas idéias do medico e cientista inglês Malcom Potts, professor da Universidade de Berkeley, na California, que diz em seu livro "Sex and war", escrito em parceria com o jornalista Thomaz Hyden, "que a mesma agressividade que permitiu ao homem evoluir na pré-história, agora provoca dois grandes problemas do mundo contemporâneo: as guerras e o terrorismo".
O cientista também defende que para diminuir a violência, a solução seria um mundo liderado pelas mulheres. E continua dizendo que para entender a violência temos que nos dar conta de que ela é um aspecto masculino, conduzido pela testosterona, embora haja violência entre as mulheres também, mas a necessidade de sair e matar outros da mesma espécie é masculina, especialmente desenvolvida nos primatas mais evoluídos, como o chimpanzé e o homem.
Deixo a poesia continuar por mim:
GUERRA E PAZ Elen de Moraes Um dia nós germinamos duma mesma sementeira e dela nós nos tornamos ramificação cabal, eixo, raiz principal da videira verdadeira. Folhas, caulificação, o todo, a parte inteira, a partilha, a fração.
Sem ter o mesmo cariz, nós temos o mesmo fado: prerrogativa arbitral para fazermos o bem ou escolhermos o mal e decidir de que lado vamos ficar - e com quem...
Por quê escolher a guerra, essa luta indecente, que assassina e sacrifica o nosso irmão inocente? Que mata achando legal matar em nome de Deus! Matar próprios irmãos seus...
Se paz para uns é guerra e pra outros guerra é paz, desprezível é o homem que no ódio se compraz. Animal recalcitrante sem amor ao semelhante. Semente que foi plantada pela mão do Criador, o mesmo Pai e Senhor.
Não adianta armistícios se dentro de cada um a guerra não for sanada. Nem tampouco artifícios por essa paz ansiada, se começa em nossos lares da guerra, as preliminares! É tão triste e dilacera ver criança explodida por um míssil governado, quanto ver um inocente morto por bala perdida durante fogo cruzado entre policia e bandido. Ver menor abandonado, faminto, aberto em feridas! Da violência, nos braços! Também ser assassinado pelas drogas consumidas que transformam os seus órgãos em descartáveis pedaços! Maldito homem, fera contumaz, que faz a guerra, que vive sem Deus! Bendito homem que busca a paz, que acolhe o inimigo nos braços seus!
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1/24/2009

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CORPO ATEU Elen de Moraes
 Volta amor!
Vida sem ti é deserto, Terra árida...sertão. É seca, é fome, é morte... É futuro tão incerto! Andorinha sem verão, Barco à deriva, sem norte.
Volta amor,
Porque eu ainda sou tua! Meu abraço anda sem dono E meu coração sem prumo... Minha dor vive tão nua, Pois despiu-se de abandono, Pôs-se a vaguear... sem rumo....
 Volta amor!
Minha boca quer beber, De novo, num beijo molhado, O doce do mel... que é teu... Quero cravar meu prazer, O meu desejo rasgado, No teu belo corpo ateu....

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MEU 1º LIVRO DIGITAL
Para lê-lo, clicar no attachment ou no link:
http://www.lenamais.com.br/biblioteca

1/20/2009
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SE CONSELHO FOSSE BOM... Elen de Moraes
É muito fácil, para quem está de fora, distribuir conselhos e dar sugestões para alguém que atravessa momentos difíceis e enfrenta problemas que parecem insolúveis, quer sejam de ordem financeira, sentimental ou de saúde. Alguém que está atravessando um deserto, como costumamos dizer por aqui.
Cada pessoa é única no seu jeito de receber impactos desastrosos e com eles conseguir conviver - ou não - até encontrar uma solução, uma saída que possa deixá-la confortável, para seguir a vida, tirar lições importantes e se sentir apta para digerir melhor suas novas dores e perdas, se for o caso. Vivendo e errando é que se aprende.
O importante é não nos culparmos pelas coisas que deram erradas e muito menos responsabilizarmos quem, pelos nossos fracassos e decepções, nada tem a ver com o caso. Se estamos passando por “aquele momento”, de algum modo nós o buscamos. Se o problema for sentimental, nossa tendência é repetir os mesmos erros, ou seja, mulher ciumenta será ciumenta toda vez que se apaixonar, com a agravante de, a cada relacionamento, o ciúme se exacerbar, por causa das experiências dolorosas que vai adquirindo pelo caminho e se alguém pensa que pode mudar o outro, o seu comportamento, que o amor tem esse dom, está fadado a novos fracassos e desilusões.
Se a questão for a saúde, temos que encará-la com destemor e não adianta lamentarmos “por que só comigo acontece essas coisas ruins? Oh, meu Deus, o Senhor me abandonou!”. A solução é iniciar logo um tratamento e se colocar positivamente diante da vida, aceitar que não viemos aqui para semente, mas que é nosso dever cuidarmos do corpo material, para que ele dure por mais tempo e em bom estado. Alguém que fuma a vida toda sabe que terá um final doloroso, se antes não acontecer um infarto. Do mesmo modo quem bebe, come ou se estressa em demasia, sabe que também passará por grandes dificuldades no futuro.
Se o problema é financeiro, muda o enfoque dependendo do lugar do planeta onde vivemos e até do presidente da República. Explico: nosso presidente Lula, no seu discurso de final do ano, aconselhou o povo a gastar muito, para não permitir que a crise mundial, que se avizinha, nos afete demasiadamente e impeça nosso crescimento. Para tanto, diminuiu os juros do crédito pessoal, baixou os impostos sobre os automóveis, etc. Creio que o conselho não serve para todos: o momento requer que se economize, mas alguns economistas dão razão ao presidente: hora de comprar. Certo, então hora de comprar e depois, na hora de pagar, temos que dar o tal “jeitinho brasileiro”. Enfim, se conselho fosse bom... E depende do conselho.
À medida que amadurecemos, que os anos avançam, não nos controlamos diante da oportunidade de passarmos nossa experiência para alguém que enfrenta situações idênticas às que enfrentamos e que cometem os mesmos erros que cometemos. Aqui precisamos pesar os prós e os contras. O que foi bom para um, pode ser péssimo para o outro. É comum ouvirmos se referirem a alguém que está descontrolado diante de algum acontecimento ruim: “fulano faz tempestade em copo d’água”. Não é bem assim, porque as pessoas são como são e cada uma reage aos medos, traições, raivas, decepções, angustias e inquietações, de formas diferentes. É normal. Anormal seria passar por tudo isso passivamente, olhando para o problema como se assistisse a um filme, como se não fosse com ela.
A pessoa que aconselha, sem ser solicitada, aquela que vive dizendo “se eu fosse você, faria assim...”, torna-se uma “chatinha” e só se dá conta quando lhe dizem. Porém, se ao contrário, quando instada a ajudar, a opinar, ela se recusa e diz que o problema não é dela, é desumana. Meio termo é uma ótima medida!
Fora de questão estão os conselhos dos pais para os filhos. Eles não só devem aconselhar como têm obrigação, pois é uma forma de educar os seus rebentos.
É claro que nem tudo que recebemos de orientação conseguimos assimilar. No entanto, não custa nada ouvir, filtrar, experimentar e adaptar alguns dados que podem ser úteis, inclusive os que aqui exponho, porque ninguém é o dono absoluto da verdade e a expressão da mesma, em cada caso, está sujeita a muitas variáveis.
O paradoxo foi fazer o que eu não queria: aconselhar. | 1/4/2009
RECOMEÇAR... EM QUALQUER IDADE.
Elen de Moraes
" Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante, vai ser diferente". Carlos Drumond de Andrade, poeta e escritor brasileiro, foi muito feliz com esta citação. Pensando sobre o assunto, um fim é sempre triste porque nos fecha uma porta, de algum modo e, seja o que for que tenha ficado para trás – um amor, um emprego, um casamento, um amigo – dá-nos desconforto, pois sabemos que o que passou, passou! E mesmo que algum dia haja um retorno, naquele momento só conta mesmo a sensação de perda.
O único final que nos deixa feliz é o fim de um ano, salvo raras exceções. As pessoas buscam energia não sabemos onde, para tantas festas. Distribuem presentes, recebem convidados, gastam o que podem e o que não podem, por vários motivos e entre eles, o de sentirem a alegria de despacharem, nos minutos finais, todas as suas angústias e tudo o mais que não deu certo e festejarem a chegada de um novo tempo.
E tem razão o Drumond: vemos morrer um velho ano, que leva consigo nossas frustrações, nossas perdas e vemos nascer uma nova época e a nossa esperança de acontecer uma nova e melhor vida.
Então fazemos planos, traçamos metas, prometemo-nos tantas coisas e, otimistas, sonhamos... E há algo melhor para um corpo cansado, um coração magoado e uma alma esperançosa, do que sonhar?
Sonhar! Eis a questão. E não correr atrás dos sonhos, eis a razão, para entrar ano e sair, sem que os mesmos se realizem.
Esse nosso desejo de chegada e saída dos anos, vezes sucessivas, sempre mais rápido, é o nosso grande paradoxo: se os anos se esticam, é sinal que vivemos mais e na nossa ansiedade de realizações queremos que passem mais céleres. Desejamos que a engrenagem do tempo agilize seus passos e assim... envelhecemos! Depois, imploramos , ardentemente, que ela, como que por milagre, perca a força e pare.
Quantas vezes dizemos que daríamos tudo para o tempo voltar e trazer a felicidade perdida. Ouvimos pessoas se referirem, com tristeza, à vida que não viveram, ao amor que não assumiram, a um filho que não acompanharam o crescimento ou lamentarem um ente querido que partiu e que esqueceram depressa demais...
Houve uma época que vivi nesse torvelinho de festas, luzes, comidas, champagne, alegria, família e amigos, na ultima noite do ano. Entretanto, o dia seguinte era envolto numa capa de melancolia e cansaço. Era um desprazer com o que sobrara, um mal estar espiritual, uma fome de ser e estar diferente...
E resolvi mudar meus finais de ano.
Ultimamente, por opção, eu os passo sozinha, no meu apartamento, olhando os fogos ao longe, ouvindo os sons dessa noite maravilhosa e o cântico da cidade. Fico só, mas não me sinto sozinha. Faço meu balanço, assumo minhas perdas e não reclamo dos meus lucros mesmo quando menores e mais: não reparto s horas, não mais divido minhas emoções no antes e no depois.
Hoje, simplesmente, vivo inteira e intensamente e, religiosamente,
Acordo o tempo
antes de a noite escoar,
para que eu tenha mais tempo
de outros sonhos sonhar...
Caminho no beiral do dia,
onde a vida se refaz
em gomos de fantasia...
Pois contra a foice do tempo
é vã qualquer alquimia.
inutil qualquer passatempo!
Sou otimista e os meus atuais anseios são, ainda, os da minha juventude, porque, afinal, o ano é novo e a engrenagem do tempo se liberta do peso do passado, desacelera seus passos e permite a chance de novos sonhos, novo recomeço, seja em que idade for.
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9/27/2008 CORCOVADO
Soneto de José M. Raposo
Voz Elen de Moraes
NUVENS NEGRAS...
Elen de Moraes
O dia amanheceu nublado... O céu se atordoa com as nuvens negras, Ameaçadoras, que passeiam de um lado para o outro, atropelando a melancolia que desce sobre meu olhar... Nuvens apressadas que buscam respostas. Talvez, as mesmas que procuro.
Bate um vento gelado... Traz consigo uma chuva fina que arrepia minha alma e lava meus pensamentos... Aconchego nos meus braços e aperto contra meu peito, as lembranças do meu amor, tão longe de mim... Tão longe do leito Que agasalhou Os nossos ardentes serões... As nossas loucas e sensuais emoções... Tão longe dos lençóis que acariciaram a intimidade da nossa paixão...
Olho o infinito embaçado por essa cor cinza multifacetada de nuances mórbidas, só comparada às cores mortas que tingiram minha vida, depois da despedida...
Ó nuvens negras, levem nas suas asas essa minha descolorida paixão, tão gasta de desejos... Levem, do meu corpo, esse frêmito, essa ânsia de querer... Levem, de mim, a dor dessa ausência e tragam, nas suas lágrimas que encharcam essa terra onde deslizam os pés do meu tormento, da minha angústia, o silêncio das minhas palavras... Abafem, com o surdo ribombar dos seus abraços, nesse encontro de prazer, o grito de amor que explode da minha alma mas, que morre com a felicidade que esmaece... No tempo... E na distância...
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